Sábado, 7 de Abril de 2012
FREDERICO GARCIA LORCA

 

 

O poeta pede a seu amor
que lhe escreva


Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão
espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo
sem mim quero perder-te.
O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a
sombra nem a evita.
Coração interior
não necessita
o mel gelado que a lua verte.

Porém eu te sofri.
Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre
tua cintura
em duelo de mordiscos e açucenas.
Enche, pois, de palavras
minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre
escura.

 

 

 



publicado por sopa-de-letras às 00:33
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