SINTA-SE EM CASA, FIQUE A VONTADE
Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011
ATRAS DOS TEMPOS TEMPO VEM

Paira no ar uma ansiedade angustiante, relativamente ao futuro.

A incerteza `e um bichinho que nos vai roendo .

Longe vao os tempos em que podiamos programar as nossas vidas.

Nos dias que correm nao `e possivel organizarmo-nos, convenientemente,  para alcancar o dia de amanha  , sem medos.

As sombras que se avistam no horizonte, deixam adivinhar a tempestade que la vem.

Ja que nao conseguimos pre organizar a vida, convem que organizemos as nossas cabecas, preparando-as para o que lhes vai cair em cima.

Talvez recuando umas quatro ou cinco decadas, consigamos relembrar que existem outras formas de vida.

`E bom que vamos explicando aos mais novos, que `e possivel viver-se sem roupas de marca, sem as playstation, sem os computarores e os telemoveis, sem carro e ate sem electricidade.

Quando era garota, no meu bairro, nao havia electricidade , nao havia agua canalizada, nao havia esgotos.

Nao me parece que, por esses motivos, a minha infancia tenha sido mais infeliz do que a das minhas filhas, ou a dos meus netos.

Lembro-me ainda hoje da boneca de papelao que me compraram na feira de Sao joao. Sabem poque me lembro? Porque nao tive mais nenhuma. E tambem porque sofri um desgosto enorme, quando vi o resultado do banho que resolvi dar-lhe.

Lembro-me bem do candeeiro de petroleo, poderia ainda hoje, preparar um. Sabiam que `e preciso aparar a torcida para nao mascarrar a chamine?

Lembro-me do penico debaixo da cama, que era preciso despejar de manha, na estrumeira do fundo do quintal, que periodicamente era queimada.

Lembro-me do alguidar de barro, que colocava debaixo do beiral, a aparar a agua da chuva para lavar a cabeca, porque deixava o cabelo mais sedoso do que a do poco, que era salobra e deixava o cabelo aspero.

Quando o alguidar se rachava, era arranjado com uns gatos de metal, que uniam a racha. Nao se deitava fora.

Lembro-me de, no verao, colocarmos a melancia e a garrafa de vinho dentro dum cesto, e com uma corda o fazermos descer ate `a agua dentro do poco, para que refrescassem.

Lembro-me das pessoas que iam a mercearia dos meus pais comprar "uma quarta" de acucar ou de cafe. Sabem quanto `e uma quarta? Sao duzentas e cinquenta gramas. Tinha que chegar para uma casa de familia para varios dias. Quanto gastamos nos agora? Quanto estragamos?

Bom, lembro-me de muito mais coisas... mas acho que estas chegam para ilustrar a diferenca entre o ontem e o hoje.

Tudo isto para dizer que nao `e o fim do mundo se tivermos que viver com um pouco menos, so temos que estar psicologicamente preparados.

Depende principalmente das expectativas.

Ao longo destas ultimas decadas criamos grandes expectativas, objectivos muito elevados, por isso agora sofreremos mais.

Temos sido roubados pelos governantes, `e um facto, mas nos tambem nos habituamos a uma vida facil, sem nos preocuparmos muito em ser cuidadosos e precaver o futuro e alheios a outros povos que vivem sob o mesmo ceu que nos, em condicoes completamente desumanas.

Nao ha melhor altura para fazer o ponto de situacao, do que em fase de crise. 

Ate sempre

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  


música: OMN

publicado por sopa-de-letras às 18:05
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